Segunda-feira (02-05-2011) foi o nosso primeiro contato para a pré-produção do filme. Ao chegarmos ao local conhecemos “Dona Laura”, assim nos foi apresentada. Uma senhora guerreira e com uma grande história que nos envolveu durante a manhã. Contou-nos um pouco de sua vida, o que a levou a morar no lixão, apresentou as pessoas que constituíam sua família, as dificuldades que enfrentou e até hoje passa, a situação de seus netos, etc.
Dona Laura é uma senhora como todas as outras que sonha em aposentar-se e ter um meio de vida confiável. Com as latinhas “catadas”, ocorre a troca por dinheiro. O dinheiro que pagará a água (segundo Dona Laura a água vem cerca de 40 reais por mês) e comprará o pão de cada dia. Ela relata as casas que possuiu e como se desfez delas. “É difícil imaginar uma pessoa que teve três casas e hoje não possui nenhuma”. – palavras ditas por Dona Laura.
Com os olhos cheios de lágrimas, conta às vezes em que pessoas tentaram invadir o seu terreno, colocar fogo em seus móveis e assim não levando somente o seu patrimônio, mas juntamente a sua paz. Apesar das dificuldades em morar no lixão ela afirma que se sente em casa. Todos possuem algum sonho e ela espera mudar de vida. Enquanto existir a fé e a esperança, tudo é possível.
Em seguida fomos conhecer uma escola que está localizada próxima ao lixão, com a companhia de Dona Laura nos mostrando o percurso para se chegar até lá. Conhecemos a diretora que nos recepcionou muito bem. Tivemos o contato direto com as crianças (sem dúvida, um dos momentos mais singelos), ao ver aqueles rostinhos e sorrisos cheios de vontade de viver.
A diretora relatou o dia-a-dia dos funcionários e a relação com as crianças. Muitas crianças daquela escola trabalham no lixão para ajudar seus pais. Entre tantas, duas ganharam destaque e é quase certo que sejam as personagens do nosso filme. Histórias verídicas e emocionantes.
Esses meios de vida e os problemas enfrentados por elas é o que esperamos mostrar de forma que conscientize e mobilize as pessoas. Para envolver-se com criança é preciso pensar e sentir como criança.
Nadjaria Kalyenne


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