O que o dia a dia de filmagens designaria aos marinheiros de primeira viagem no campo do áudio visual? A chuva e a lama não eram problema diante da apreensão evidenciada nos rostos de cada um dos quatro integrantes da equipe de produção do filme “Quando eu Crescer”. A intenção era uma só, achar os personagens do nosso filme, mas o que o lixão de Campina Grande nos reservava? “Dentro de casa ninguém conhece o mundo lá fora não, minha filha. Sabe o que tem, mas não sabe o que acontece”. Palavras de Dona Laura, uma das personagens que iríamos conhecer naquela manhã.
| Dona Laura nos contando um pouco da sua história Foto: Vanessa Azevedo |
Cachorros e gatos doentes, porcos, urubus e insetos dividem lugar e a fonte de sobrevivência com as pessoas, o lixo. Catando e separando um dos problemas sociais mais agravantes do nosso tempo. Fazendo o que deveria ser de nossa obrigação. Mas não vou entrar nesse tema no momento. Outro desafio encontrado foi à falta de segurança. Como não sabíamos o que nos esperava, fomos com a cara e a coragem. A maioria das pessoas que conhecemos foi bem receptiva, poucas é que não gostaram muito da nossa presença lá e demonstrou isso. Mas, ossos do ofício.
Com o auxilio mais uma vez de Dona Laura fomos até uma escola próxima, onde a maioria das crianças que lá estudam, assim como os pais trabalham no lixão para ajudar na renda de casa. A escola também está em precárias condições, mas faz o possível para ajudar as crianças vindouras de famílias tão pobres que muitas vezes a única refeição do dia é a que fazem na escola. O que foi bem visível é que mesmo diante das adversidades e dificuldades as crianças superam tudo e continuam freqüentando a escola e querendo algo mais para seu futuro.
Conhecer pessoas e histórias de vida é sempre bom, o conhecimento está sendo único e muito válido. O ponto de partida para muitos trabalhos e experiências futuras.


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